Às vezes nossa vida vai um pouco além do que está ao nosso alcance, e nem sempre as nossas escolhas são dependentes apenas de nós mesmos, porque seres humanos são incapazes de viver isolados de outros seres humanos, uma vez que a convivência é estritamente necessária para enriquecer o que denominamos como sendo nossa consciência e, consequentemente, nosso próprio modo de viver.
E como tudo o que está ruim pode ficar sempre um pouco pior, após algumas muitas experiências de vida chego à conclusão de que as coisas sempre acontecem com as pessoas erradas, da maneira errada e no tempo mais que indevido. E o mais indignante é saber que estamos submetidos à isso pela nossa própria existência durante toda a mesma.
Considerando que cada indivíduo possui uma personalidade própria, as conseqüências a que serão submetidos serão também distintas, pois há quem tenha consideração pelos outros acima de si mesmo, e há quem conserve um espírito individualista carregado de egoísmo, fato que leva essas a atingirem seus fins sem considerar os meios a serem utilizados. Diante disso, sempre existirão aquelas pessoas que sofrerão pelos outros, tanto, a ponto de fingirem ignorar tudo somente para fazer os outros felizes, mas no fundo, estão se deteriorando aos poucos, até o momento em que atingem seu limite e desabam completamente, ocorrendo a necessidade de explicitar tudo o que passa por suas mentes. Nesse momento, são possíveis duas formas de encarar seus próprios sentimentos, pois, ou os individualistas percebem sua atitude negligente, ou conservam sua visão e continuam provocando sofrimento em pessoas as quais se importam com elas, mas que se quer percebem a existência.
Essa continuará sempre sendo a natureza humana, inalterável pela vontade de poucos, mas superável por todos aqueles que um dia esperam encontrar sua própria felicidade, independentemente do que pensam os demais.



Ouço dizer que compreender a natureza humana é o primeiro passo para entender a si mesmo. Bem, considerando o fato de que a cada instante decorrido, a cada pôr-do-sol, a cada nova primavera, as atitudes das pessoas que nos cercam estão cada vez mais impassíveis de interpretação, chego à conclusão de que cada dia me conheço um pouco menos e a cada passo dado pareço regredir uma eternidade em relação ao conhecimento de minha própria mente. Mas o ser humano não é apenas matéria ou intelectualidade, e os sentimentos? Quanto à estes já abri mão das tentativas de compreensão, pois a cada nova experiência percebemos o quanto menos entendemos sobre a amplitude do sentimentalismo de nossa própria espécie. E é exatamente neste ponto que se demonstram falhas as teorias segundo as quais a natureza humana seria de menos complexa compreensão em relação às demais espécies, justamente em razão da possibilidade de expressão concedida pelo racionalismo inerente à espécie. Ou seja, é fato que a nossa capacidade de raciocínio acaba por nos conceder uma infinita possibilidade de expressão de sentimentos, em contraposição aos animais que agem de formas limitadas seguindo apenas seu próprio instinto, sendo ,portanto, objetos de uma análise de âmbito populacional, enquanto que a individualidade dos homens impossibilita que a mesma análise seja realizada com os Homo sapiens.
E quando a figura do homem passa a viver em sociedade e atribui-se a ele a ética necessária ao convívio com os demais seres da mesma espécie? Então a compreensão do mesmo se torna uma tarefa que exige muito mais que heroísmo, uma vez que cada situação exige uma conduta ética específica que associa a moral aos valores adquiridos pelo ser humano ao longo de sua existência, valores estes muitas vezes decorrentes de tradições provindas de gerações as quais nem se quer raciocinamos sobre sua localização no tempo.
Sim, é uma filosofia bem complexa a apresentada, mas é uma questão a se pensar, e foi justamente por isso que decidi escrever sobre isso. Nos últimos dias tenho estado em conflito comigo mesma por não saber escolher qual seria a melhor conduta ética a ser tomada diante das várias situações à que a vida tem me exposto (infelizmente com uma certa freqüência). Sei que são esses acontecimentos que nos permitem evoluir como pessoas, sim, porque são a partir deles que podemos ter uma idéia, ainda que seja ínfima, das nossas próprias possibilidades comportamentais diante da sociedade. Mas, mesmo diante disso, é lastimável não saber como agir, considerar todos os envolvidos e as conseqüências ás quais cada um estará sujeito. Tudo isso porque duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, desagradável esta teoria newtoniana que impede a coexistência entre razão e emoção em um mesmo plano, o que torna imperfeita a condição humana. Sim, porque assim como os sentimentos e o conhecimento não podem existir sem confronto, sempre haverá um mundo dividido, e esta divisão sempre irá determinar que uns sejam bens sucedidos por terem seus direitos atingidos, enquanto outros serão considerados fracassados diante da felicidade dos demais.
Será que vale a pena continuarmos as tentativas de entendermos a nós mesmos? Ou serão estas todas irrelevantes?