Ouço dizer que compreender a natureza humana é o primeiro passo para entender a si mesmo. Bem, considerando o fato de que a cada instante decorrido, a cada pôr-do-sol, a cada nova primavera, as atitudes das pessoas que nos cercam estão cada vez mais impassíveis de interpretação, chego à conclusão de que cada dia me conheço um pouco menos e a cada passo dado pareço regredir uma eternidade em relação ao conhecimento de minha própria mente. Mas o ser humano não é apenas matéria ou intelectualidade, e os sentimentos? Quanto à estes já abri mão das tentativas de compreensão, pois a cada nova experiência percebemos o quanto menos entendemos sobre a amplitude do sentimentalismo de nossa própria espécie. E é exatamente neste ponto que se demonstram falhas as teorias segundo as quais a natureza humana seria de menos complexa compreensão em relação às demais espécies, justamente em razão da possibilidade de expressão concedida pelo racionalismo inerente à espécie. Ou seja, é fato que a nossa capacidade de raciocínio acaba por nos conceder uma infinita possibilidade de expressão de sentimentos, em contraposição aos animais que agem de formas limitadas seguindo apenas seu próprio instinto, sendo ,portanto, objetos de uma análise de âmbito populacional, enquanto que a individualidade dos homens impossibilita que a mesma análise seja realizada com os Homo sapiens.
E quando a figura do homem passa a viver em sociedade e atribui-se a ele a ética necessária ao convívio com os demais seres da mesma espécie? Então a compreensão do mesmo se torna uma tarefa que exige muito mais que heroísmo, uma vez que cada situação exige uma conduta ética específica que associa a moral aos valores adquiridos pelo ser humano ao longo de sua existência, valores estes muitas vezes decorrentes de tradições provindas de gerações as quais nem se quer raciocinamos sobre sua localização no tempo.
Sim, é uma filosofia bem complexa a apresentada, mas é uma questão a se pensar, e foi justamente por isso que decidi escrever sobre isso. Nos últimos dias tenho estado em conflito comigo mesma por não saber escolher qual seria a melhor conduta ética a ser tomada diante das várias situações à que a vida tem me exposto (infelizmente com uma certa freqüência). Sei que são esses acontecimentos que nos permitem evoluir como pessoas, sim, porque são a partir deles que podemos ter uma idéia, ainda que seja ínfima, das nossas próprias possibilidades comportamentais diante da sociedade. Mas, mesmo diante disso, é lastimável não saber como agir, considerar todos os envolvidos e as conseqüências ás quais cada um estará sujeito. Tudo isso porque duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, desagradável esta teoria newtoniana que impede a coexistência entre razão e emoção em um mesmo plano, o que torna imperfeita a condição humana. Sim, porque assim como os sentimentos e o conhecimento não podem existir sem confronto, sempre haverá um mundo dividido, e esta divisão sempre irá determinar que uns sejam bens sucedidos por terem seus direitos atingidos, enquanto outros serão considerados fracassados diante da felicidade dos demais.
Será que vale a pena continuarmos as tentativas de entendermos a nós mesmos? Ou serão estas todas irrelevantes?

1 comentários:

Natalia, primeiro queria agradecer a critica e depois agradecer ao feliz dias das crianças!!
Acho que compreender é uma palavra de muito significado (nao é a toa que possui 2 "e") este eh o seu caso. Acredite. Você tenta compreender o compreender e é isso que nos faz refletir.

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