Sempre fui daquelas que acredita fielmente na teoria de que todos possuem equivalentes oportunidades durante o que se pode entender por existência, e que as distinções entre as pessoas se dão como conseqüência da maneira como estas encaram suas oportunidades. No entanto, é difícil continuar acreditando em uma teoria que não condiz de forma alguma com determinadas situações às quais somos expostos pela vida.

Costumo me classificar como anormal, ou, eufemicamente, como alguém que vive à margem dos padrões impostos pela sociedade. Isso pode ser benéfico às vezes, mas pode ser torturante em outras situações. Costumo refletir sobre a origem da anormalidade, sim, porque esta não pode brotar do além como muitos constantemente julgam. Chego então à conclusão de que todos os indivíduos armazenam, mesmo que inconscientemente, uma pequena porção do que é popularmente conhecido como loucura e o fator determinante para a existência de loucos no mundo é justamente a carga de anomalia depositada neste pelos indivíduos à sua volta, à quem não podemos atribuir culpa, pois o processo pode ocorrer sem a percepção de ambos os lados. Apesar disso, a carga se acumula gradativamente e em determinado momento, precisa, de algum modo, ser aliviada. E é aí que surgem os loucos, por ações praticadas como forma de alívio, ou pelo contrário dessa situação, ou seja, o simples fato de alguém armazenar uma quantidade extrema de informações incomuns ou conflitos. Acredito que a segunda situação seria melhor aplicada à minha própria definição de loucura.

É realmente complexo reconhecer sinais de alguma anomalia, principalmente quando esta relaciona-se a você mesmo. Sinceramente, só pude contatar algo de estranho quando a situação atingia seu auge, além disso, os acontecimentos, na maioria das vezes, não poderiam ser atribuídos à minha pessoa, o que tornou o reconhecimento mais difícil. Também por esse motivo, iniciei a prática de um novo exercício: o de tentar compreender a mentalidade das pessoas ao meu redor. Sim, foi somente uma tentativa acompanhada de significativo fracasso, considerando que quanto mais tento compreender as pessoas, mais confusa fica minha noção sobre elas e, consequentemente, sobre as suas atitudes refletidas na sociedade. Como já citado, considero que a loucura tenha aspectos positivos e negativos, como todas as outras coisas no universo, no entanto, costumo destacar o lado desagradável da mesma, talvez seja pelo simples fato de esta ser mal interpretada pelos indivíduos, ou mesmo pelo destaque dos fatos desagradáveis no momento. E nesse instante, caso pudesse classificar o fato mais relevante no que diz respeito à negatividade, esse fato seria, sem sombra de dúvida, a impotência mental e prática desencadeada por atitudes inconseqüentes por parte de quem não tem a mínima consideração pela existência dos outros, por simples egocentrismo. Tento imaginar alguma resposta plausível para tudo isso, o porquê da ocorrência de tudo isso, sim, pois é realmente inconcebível, em minha visão, acabar com o que resta de uma vida por puro egoísmo, quando o que procuro é somente uma resposta, uma justificativa por ser eu quem está passando por tudo isso.

Enquanto vou me definhando aos poucos, permaneço numa busca frenética por respostas e soluções para uma situação que até o momento encontra-se instalada em meu ser, exatamente como um vírus parasita uma célula na busca de fontes de sobrevivência. Mesmo sem demonstrar isso, a descoberta de uma vacina torna-se cada dia mais necessitada e inadiável. Espero sinceramente encontrar uma saída antes que seja tarde demais.

1 comentários:

Ponto de vista maravilhoso. Argumentatividade e relação com a realidade tambem tá de parabéns. AH não, o que mais se pode esperar de um blog cuja autora é você hein? Lindo lindo! Só senti falta da janelinha de quem segue o blog, pra que eu possa fazer parte tambem. não consegui seguir seu blog naty :/ um beeeijo.

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